sexta-feira, 23 de abril de 2010

2º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre

Entre 15 e 20 de abril de 2010 o Grupo Mototóti e seu espetáculo primogênito, O Vendedor de Palavras, participou da 2ª Edição do Festival de
foto: Sonia Hammermüller
 Teatro de Rua de Porto Alegre. Além de apresentações muito especiais do espetáculo os atores do Grupo acompanharam com muito gosto a todos os seminários do Festival, discutindo questões que cercam o teatro e a rua. O lançamento do livro "Memória do Teatro de Rua de Porto Alegre", do amigo Jessé Oliveira foi um momento também especial, já que Fernanda Beppler, atriz do Mototóti, iniciou sua trajetória em 1999 sob direção de Jessé em um espetáculo de teatro de rua - A Guarda Cuidadosa!!
Escolhemos, entre tantas outras coisas bacanas que aconteceram, destacar aqui no blog para nossos leitores, as impressões de Rosyane Trotta (convidada pela coordenação do Festival a realizar a análise crítica dos espetáculos) sobre nosso espetáculo:

Em "O Vendedor de Palavras", a tradição do teatro popular de rua é revista sob a ótica da precisão e da sutileza. Visualmente, os elementos cênicos comungam de uma unidade baseada em tons claros, texturas rústicas e padronagens que, juntas, sugerem um enquadramento bucólico. O trajeto físico dos atores revela a marcação de detalhes articulados como uma partitura cuja execução depende da sintonia da dupla. A roda pequena e a técnica vocal permitem o uso da voz falada, sem que se perceba o esforço de projeção característico das apresentações ao ar livre. Para permitir que os dois atores percorram os diversos lugares e situações da história, sem prejuízo da compreensão do público, a direção se utiliza da mutação da cenografia e do trânsito de elementos que codificam cada personagem, em um jogo de sofiscação estética e dramática que requer a atenção do espectador. Através do uso de máscaras, boneco, instrumento musical, troca de papéis, relação direta com o espectador e com os imprevistos da apresentação, "O Vendedor de Palavras" faz um inventário da linguagem de rua, sob o filtro da delicadeza. O que define o espetáculo é o engajamento afetivo dos criadores com o tema (a língua brasileira) e o universo das tradições geracionais. Nesta obra autoral, eles revelam um posicionalmento político-pedagógico: arvoram-se em construtores militantes da cultura. Neste sentido, pode-se dizer que, no panorama do teatro de rua, o espetáculo ocupa um lugar de erudição.

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Saiba mais sobre o festival em ---> www.ftrpa.com.br
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2 comentários:

sonia.hammer disse...

O importante de vocês terem uma atitude positiva diante da vida, é ter o desejo de mostrar o que tem de melhor, é isso que produz maravilhosos efeitos colaterais. Não só cria um espaço feliz para os que estão ao seu redor, como também encoraja outras pessoas a serem mais positivas.
beijos.
Sonia Hammermuller

Rodrigo Monteiro disse...

Sem dúvida, foi uma das críticas mais bem escritas que eu já li sobre alguma peça teatral.

Quem escreveu está de parabéns!

E vcs também!!!!!

bjus